sexta-feira, 9 de julho de 2010

O chamado que precisamos cumprir



ISAÍAS 58: 4 A 7

"Vocês passam os dias de jejum discutindo e brigando e chegam até a bater uns nos outros. Será que vocês pensam que, quando jejuam assim, eu vou ouvir as suas orações?

O que é que eu quero que vocês façam nos dias de jejum? Será que desejo que passem fome, que se curvem como um bambu, que vistam roupa feita de pano grosseiro e se deitem em cima de cinzas? É isso o que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada?

“Não! Não é esse o jejum que eu quero. Eu quero que soltem aqueles que foram presos injustamente, que tirem de cima deles o peso que os faz sofrer, que ponham em liberdade os que estão sendo oprimidos, que acabem com todo tipo de escravidão.

O jejum que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que dêem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes".



Os profetas nunca engoliram muito bem essa coisa do ritual, para eles isso sempre foi o que é, sombra do verdadeiro poder espiritual de Deus se manifestando no homem com graça. Foi esse espírito que Jesus encontrou nas Escrituras, e deixou os fariseus, saduceus e teólogos de plantão boquiabertos com uma sabedoria nua, desértica, profética e grosseiramente graciosa.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Imaginem se Jesus tivesse descido da cruz!

O relato bíblico da crucificação é rico em interpretações e significados. Mas ao ler a passagem que se encontra em Mateus 27:33 a 44 algo me saltou aos olhos - Jesus tinha a possibilidade de descer da cruz e se salvar. No entanto, ele escolheu ficar ali, ele escolheu a dor dos cravos comprimindo os seus tendões, ele escolheu sentir o sangue escorrendo pelo seu corpo levando suas forças.

Imagino que o lugar onde ocorria a crucificação, chamado de Gólgota, estava repleto de pessoas, por causa da excepcionalidade do evento. O texto relata que haviam pessoas de vários níveis sociais presenciando aquela condenação, desde ladrões a cidadãos comuns, desde pequenos oficiais até chefes da lei, desde simples crentes até líderes religiosos. Acredito, portanto, que os maiorais daquela sociedade olhavam para o que estava acontecendo e muito se admiravam. Ouso dizer que muitos até gostavam daquilo tudo, pois estava ali aquele que eles acreditavam que ameaçava as suas posições de poder.

Muitos desses maiorais se posicionavam diante do fato com deboche e escárnio. Posso imaginar eles falando: como pode aquele que se diz rei dos judeus, morrer de forma tão vergonhosa, ao lado de ladrões e dependurado assim? Eles deviam olhar para si mesmo e se sentirem jubilosos; pensando: ninguém tira minha posição de autoridade.

Tenho uma vaga ideia de que a dor física que Jesus sentia que era incalculável, não obstante ele também sentia uma dor moral, pois estava em questão a sua glória, a sua posição social e até a sua fé, pois questionavam assim: ele creu em Deus e agora Deus nem se importa em salvá-lo. Imagino que Jesus gostaria de explicar e esclarecer tudo o que estava acontecendo, mas o contexto o impossibilitava.

Tudo aquilo poderia ter sido diferente, ele poderia não ter sentido aquela dor, ele poderia não ter sofrido tal vexame, bastaria apenas ele descer da cruz. Se não soubéssemos hoje de todo o plano, não teria diferença para nós; a vida concreta seguiria o seu curso normal. Mas a grande diferença seria na eternidade, na nossa vida espiritual, pois a morte de Jesus mudou tudo, inclusive a nossa forma de relacionamento com Deus Pai.

Convido você a fazer um exercício comigo: imagine se Deus não tivesse criado todas as cores e feito o mundo apenas preto e branco, para nós não faria diferença, porque não saberíamos que as muitas cores existem. Imagine se Deus não tivesse criado os temperos e nossa comida fosse insípida, para nós não faria a menor diferença, não conheceríamos gosto algum. Se Jesus Cristo descesse da cruz, talvez hoje teríamos que pagar nossos pecados com holocaustos de tempos em tempos. Se ele descesse da cruz, talvez teríamos uma relação distanciada com Deus. Se ele descesse da cruz, poderíamos não ter a real dimensão do amor de Deus. Se ele descesse da cruz, tudo seria diferente e talvez nem perceberíamos isso.

Mas a história nos relata que não foi assim, Jesus permaneceu ali pregado até morrer e depois de três dias, vitoriosamente, ressuscitar.

O mundo foi feito com muitas cores para que a vida fosse mais alegre. O mundo foi feito com muitos temperos, para que a vida tivesse mais sabor. Deus planejou tudo para que a vida fosse plena de significado e planejou inclusive a forma de redimir nossos pecados, para que assim pudéssemos nos reaproximar dele. Por isso Jesus Cristo não desceu da cruz - para que pudéssemos experimentar o completo e perfeito amor de Deus.

Eliéser Ribeiro


sábado, 20 de março de 2010

Salomão 3 - Alma, tempo e eternidade


Assim como a alma humana é diversa, entendo que o tempo também o é. Quão variados sentimentos e virtudes podem ser força propulsora no interior do ser humano, como diversos e múltiplos são os caminhos que o tempo pode desenhar na tela da história.

Olhando para disposição da vida vejo que existe tempo para tudo e acredito que o Criador tenha feito a alma humana semelhante ao tempo para que os dois se tornassem um e muitos em uma só vez.

Observei que a variedade do tempo e da alma revela que tudo tem sua vez, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de entristecer e tempo de saltar de alegria; tempo de desarranjar e tempo de organizar; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de abrir mão; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.

Como a alma e o tempo se encontram para tornar os dois possíveis. Acredito que o Criador tenha plantado a eternidade no coração do homem, para fazer a própria humanidade possível.

A humanidade se define pela infinitude de possibilidades, no entanto, as obras do seu início e fim não lhes são reveladas. Mas o Criador incorporou na mente do homem a ideia de eternidade justamente para que esse busque as coisas sublimes, maiores que ele mesmo, que transcendem a sua própria existência. Pela necessidade visceral de se eternizar os homens são capazes de amar, de cultivar amizades, de fazer política e escrever poesias. E ao fazer isso eles se tornam mais parecidos com o Criador, que tem a eternidade em quintessência.
Eliéser Ribeiro

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Caminho da Graça


Esse filho que vai, cheio de individualidade, exigindo do pai o que não devia, indo longe arriscar-se por pura pretensão, que a tudo consome, dissolutamente, e que nem mesmo pode sustentar-se a si mesmo quando nada consegue de ninguém e a fome cresce ao redor, é o mesmo que depois volta para casa e é recebido em GRAÇA.

Antes do retorno, esse que vai passa por um processo de humilhação gracioso. Se antes dizia "me dá", agora pede: "trata-me assim". Se antes projetava o desconhecido, agora sonhava com o "familiar". Enfim, não se trata mais do mesmo, daquele que ia, agora era o que desejava voltar, e ser o menor se necessário. Aprendeu, mas não por inteiro.

Antes do retorno faz um ensaio do perdão, imagina como o pai o receberá de volta, e calcula as possibilidades. Se imagina como um empregado do pai, usufruindo dos cuidados razoáveis dessa posição. Imagina que assim, se se rebaixar e colocar-se nessa situação, talvez alcance graça. Mas é surpreendido, por uma GRAÇA infinitamente mais abundante. Não é recebido como empregado, e nem mesmo tem a chance de terminar seu discurso de perdão, tão ensaiado, pois o pai corta a fala, e pede a um servo que receba o FILHO, como filho que é.

O passado é absorvido pela graça, e nós aprendemos que nunca poderemos medir a misericórdia de Deus sobre nossas vidas. Nunca entenderemos o que Graça significa, enquanto quisermos merecê-la, abdicando de nossa filiação, para ver se podemos comer do pão que, mesmo os que não são filhos, por pura graça, podem comer.

O caminho da Graça é esse, de perceber-se a si mesmo sendo absorvido por uma misericórdia que não posso calcular, apenas experimentar existencialmente, sem sobre ela emitir qualquer juízo. Uma GRAÇA tão imerecida quanto"incomentável".


Em Cristo,

nosso irmão que permanece em casa, e faz festa com o pai quando retornamos,

Pastor Fillipe Mendes

domingo, 7 de março de 2010

Astronauta


Conta-se a história de três amigos. Que desde pequeno cresceram juntos no mesmo bairro freqüentaram a mesma escola e participaram das mesmas brincadeiras. O primeiro se chamava João, como era um cara descolado e tinha toda a moral com a galera, passou a ser chamado pelo apelido de “John” por ser mais despojado e combinar mais com seu estilo. O segundo se chamava Alexandre, diferentemente de John, não era tão legal e atraente como o amigo; e gostaria de ser chamado de “Alex”, mas não colou. E o terceiro se chamava Samuel, que por ser sempre atencioso e sensível a todo mundo, foi chamado carinhosamente de “Samuca”.

Os três garotos cresceram e entraram na adolescência, vivendo todos os desafios e as virtudes da idade. Novos amigos, novos valores, novos conceitos e experiências para além da barra da saia da mãe. Os três se tornaram filhos do seu tempo, respiravam os ares de sua época, dançavam conforme a música. E a música que tocava tinha uma harmonia bem humana. Quase todas as filosofias desse tempo foram elaboradas para convencer-lhes de que o bem do homem encontrava-se nesta terra.

E veio a juventude, aumentaram as responsabilidades e os significados da vida se tornaram mais intensos.

E John, por sua vez sempre atraente e agradável, conquistava todos a sua volta. E era a descrição perfeita da ideia de que a vida era agora, e que devia curtir ao máximo o que essa vida poderia dar, pois só teria essa oportunidade. Então buscava ganhar o máximo de dinheiro possível, conquistar todas as mulheres disponíveis e juntar todos os amigos em sua volta. No entanto, nunca tinha paz, queria sempre mais e quando se encontrava sozinho, sentia angustia profunda.
Samuca por ter a alma bonita e dar sempre importância a sentimentos eternos obtinha o respeito e admiração de muitos. No final da adolescência, tinha tido uma experiência com o Eterno, tinha percebido que existia um desejo dentro do seu coração, que nada nesse mundo poderia satisfazer. Assim, ele percebeu que não tinha sido feito para esse mundo e que todas as alegrias e satisfações de seu tempo eram apenas eco e sombra das alegrias futuras.

Alexandre, por sua indiferença e dureza, tinha apenas a simpatia de seus nobres amigos que lhe entendiam e não o deixavam sozinho. Ele ficava sempre divido entre a personalidade imediatista de John e o caráter constante de Samuca. Talvez fosse o mais infeliz, pois, como John, tinha toda a sua esperança nessa vida, mas sabia também que não poderia ser saciado plenamente aqui. Samuca havia lhe apresentado outro mundo, mas com o tempo parou de pensar no eterno, se tornando o mais incompetente neste mundo.

A grande diferente entre os três é que apenas Samuca havia compreendido o verdadeiro significado da vida, apenas ele tinha conseguido perceber que sua vida no presente, era a anti-sala da Eternidade. Assim, ele vivia como se a gravidade, os problemas e as satisfações desse mundo não o pudessem segurar. Ele compreendeu o que essa canção abaixo diz e podia se considerar como um astronauta.

Astronauta
Resgate
Composição: Resgate

Os meus pés estão no chão
E a cabeça nas alturas
Nos meus tímpanos ainda soa Tua voz
Inesquecível como o verbo
Que não dá pra se apagar
Foi escrito aqui por dentro pra se eternizar
E não vai sair, e nem acabar
E a gravidade disso aqui não vai me segurar

Os meus pés estão no chão
E a cabeça lá no espaço
Sou satélite na órbita do Teu amor
E eu me sinto um astronauta flutuando na galáxia
Giro no Teu universo eu vivo acima do céu
E não vou sair, e nem me acabar
E a gravidade disso aqui não vai me segurar

Não importa se meus pés...
Se a cabeça é nas alturas
Não importa se o meu chão
Se eu vivo acima

Os meus pés estão na Terra
E a cabeça lá nas nuvens
No deserto o Teu cuidado paira sobre mim
Mesmo sem um telescópio, a capturar a tua luz
Despejá-la nos meus olhos
Plantá-la dentro de mim
E não vai sair, e nem acabar
E a gravidade disso aqui não vai me segurar

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Salomão 2 - Vivemos um eterno retorno


Ao ingressar nessa pequena embarcação, além dos meus companheiros trago comigo todas as minhas desventuras e o peso da sociedade que me enrijece o tronco. Sou um homem que tenho muito dinheiro e tudo o que ele pode comprar eu tenho. Posso comprar inclusive o respeito e a admiração das pessoas. Sou daqueles que não se contenta com respostas prontas, aprofundo em questões que muitos sábios não conseguem responder. Além disso, me aplico diligentemente ao trabalho e na intervenção da natureza pelas minhas mãos, por acreditar que dessa forma dou mais significado a minha vida.

Diferentemente dos meus semelhantes, posso me considerar um indivíduo, porque minhas posições sociais e aplicações me condicionam a isso. Sou uma colcha de retalhos, formado por pedaços e tiras, dos tempos e dos valores, e tenho esses pedaços suturados pela fibra humana das minhas relações com as pessoas.

Acredito que a história da humanidade é como um livro lido várias vezes, as coisas vão e vem e se repetem com o tempo. Apenas as disposições do coração do leitor sofrem alguma alteração. Mas geração vai e geração vem, levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus destinos. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.

Todos nos cansamos com nossas atividades de tal maneira que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir. Sempre ansiamos pelas novidades, e queremos sempre saber os fatos das revistas da próxima semana. Entramos sistematicamente em nossas caixas de email esperando uma nova notícia, um novo sinal de vida, uma nova alegria.

E isso não é novo, a invenção de Gutenberg não ganhou notoriedade em vão. O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.

Salomão 1 - Um convite para uma viagem pelos sentidos da vida

Te convido para nas próximas 16 semanas embarcar comigo numa viagem em busca dos sentidos da vida. A nossa embarcação será o livro de Eclesiastes, que permitirá que naveguemos pelos mares da sabedoria e das questões pertinentes ao sentido da vida. Nesse percurso visitaremos as ilhas da vaidade, o arquipélago do tempo, o estreito da corrupção, a baia das riquezas, o porto da justiça e a praia do conhecimento de si mesmo e do Eterno. Espero que você assim como eu, aproveite essa oportunidade para compreender melhor a razão da sua existência.

Eu sou Salomão, o comandante desse barco. No final da minha vida, decidi fazer essa viagem para refletir sobre o que valeu ou não a pena. Achei que seria necessário também me isolar em algum lugar e contar com 3 amigos para me ajudar na tarefa de cuidar das coisas do navio e de encontrar razão para a existência. Para isso, nada mais formidável do que uma longa viagem pelos oceanos.

Eliéser Ribeiro

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ninguém o despreze por ser jovem

Na igreja primitiva um jovem se destaca por sua proximidade com o evangelho de Cristo. Esse jovem era Timóteo. Ele era filho de um casamento misto, seu pai era gentio e sua mãe se convertera ao evangelho em uma das viagens missionárias de Paulo. O jovem Timóteo tinha um estreito relacionamento com Paulo, que o levou em três de suas viagens. Ele era um cristão da segunda geração e exerceu uma influente liderança na igreja apesar de sua idade.

Timóteo em seu tempo conviveu muito com os judeus, que provavelmente foram as pessoas mais religiosas da história. Eles eram muito ligados a tradição e grande parte deles tinham o velho testamento inteiro na memória.

Desse modo, a liderança e a condição de Timóteo eram muito questionadas. O que levou Paulo a encorajá-lo dizendo que ninguém faça pouco caso de você porque você ainda é moço (I Tm 4:12a). E Timóteo por ter sua condição questionada não podia vacilar, pelo contrário, tinha que ser exemplo, modelo, devia seguir seu caminho de forma irrepreensível. As pessoas que conviviam com Timóteo deviam seguir o caminho que ele ensinava e vivia; ele precisava ser o modelo para eles no seu amor, na sua fé, e na pureza dos pensamentos (I Tm 4:12b).

Mas qual a motivação de Timóteo para ser um padrão dos féis? Ele tinha basicamente duas motivações: a principal era porque no seu íntimo, Deus havia escolhido fazer morada (João 4:23), isso implica em dizer que o Eterno havia decido habitar em Timóteo ao invés de viver em templos ou na tradição; e a segunda motivação era que ele havia recebido o dom espiritual de ser líder, do qual ele não podia abrir mão (I Tm 4:14).

Timóteo foi desacreditado por muitos, assim como a nossa juventude nos dias atuais. Temos vivido tempos difíceis, não sem motivos, o jovem tem sido desconsiderado como força motriz do evangelho, porque muitos têm deixado de ser morada do Eterno. No entanto, precisamos retomar ao trilho e voltarmos a ser o padrão dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza.

Por Eliéser Ribeiro

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

9 Maneiras de saber que o evangelho de Cristo é verdadeiro


John Piper

Texto originalmente postado no Blog: iPródigo http://ow.ly/11RL0

1. Jesus Cristo, da forma como é apresentado no Novo Testamento, e como ele surge em todos esses escritos, é singular demais e maravilhoso demais para ter sido tão uniformemente inventado por todos esses autores.
A força de Jesus Cristo proporcionou esses escritos, e não o contrário. Jesus é muito maior e mais atraente do que qualquer uma de suas testemunhas. Sua realidade por trás desses escritos como um evento grande e global que impulsionou milhares de propagadores. Algo estupendo produziu nessas testemunhas um desejo de compartilhar essas histórias maravilhosas e variadas, porém unificadas, de Jesus Cristo.

2. Ninguém nunca explicou a tumba vazia de Jesus no ambiente hostil de Jerusalém, onde os inimigos de Jesus dariam qualquer coisa para produzir um cadáver, mas não o fizeram.
As primeiras tentativas de encobrir o escândalo da ressurreição iam descaradamente contra a experiência humana: discípulo não roubariam um cadáver (Mateus 28:13) para então sacrificar suas vidas para pregar a glória do evangelho da graça baseados em uma farsa. Teorias modernas de que Jesus não morreu, mas desmaiou, e acordou dentro da tumba e moveu a pedra para convencer seus discípulos a erroneamente acreditarem que ele ressuscitou como o Senhor do universo simplesmente não convencem.

3. Oponentes cínicos do Cristianismo surgiram aos montes, mesmo quando muitas testemunhas estavam disponíveis para consulta a respeito da ressurreição de Cristo.
“Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido.” (1 Coríntios 15:6). A notícia da ressurreição seria exposta como mentira imediatamente, se fosse possível. Mas não sabemos de nada ter ocorrido assim. Testemunhas oculares do Senhor ressurreto abundaram, quando várias acusações ao evangelho estavam sendo feitas.

4. A igreja primitiva foi uma força indomável de fé, amor e sacrifício, baseada na realidade de Jesus Cristo.
O caráter dessa igreja, e a natureza do evangelho da graça e do perdão, e a inegável coragem de homens e mulheres – mesmo em face da morte – não se encaixam na hipótese de histeria coletiva. Eles simplesmente não eram assim. Algo incrivelmente real e magnífico havia acontecido e eles estavam pertos o suficiente para saber, e ter certeza, e serem alcançados pelo seu poder. Esse algo era Jesus Cristo, e todos eles testemunharam disso, mesmo quando eram mortos louvando-o.

5. As profecias do Antigo Testamento encontram incrível cumprimento na história de Jesus Cristo.
As testemunhas desse cumprimento são tantas, tão diversas, tão súbitas e tão entrelaçadas, na história da igreja e dos escritos do Novo Testamento, que é difícil aceitar que foram inventadas por alguma grande conspiração. Entrando em detalhes, Jesus Cristo cumpriu dezenas de profecias do Antigo Testamento que verificam sua autoridade.

6. As testemunhas de Jesus Cristo que escreveram os evangelhos e as cartas do Novo Testamento não são ingênuos, enganados ou doentes mentais.
Isso fica claro pelos próprios textos. Os livros carregam marcas de inteligência, lucidez, maturidade, e um padrão moral que é atraente. Eles conquistam nossa confiança como testemunhas, especialmente quando todos juntos são levados por uma mensagem única e grande, porém contada de variadas formas, a respeito de Jesus Cristo.

7. A cosmovisão que surge dos textos do Novo Testamento faz mais sentido em nossa realidade do que qualquer outra cosmovisão.
Ela não apenas se encaixa no coração do homem, mas também no cosmos, na história, e em Deus, da forma como ele se revela na natureza e na consciência. Alguns chegam a essa conclusão após muita reflexão, outros talvez cheguem a essa convicção por um senso intuitivo da profunda coerência de Cristo da sua mensagem ao mundo que eles conhecem.

8. Quando alguém enxerga Cristo da forma como ele realmente é apresentado no evangelho, é visível o brilho da luz auto-evidente ali contida.
Essa é a luz que “brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”(2 Coríntios 4.6) e que é imediatamente percebida pelo coração despertado pelo Espírito como a luz é percebida por um olho aberto. O olho não questiona se existe luz. Ele vê a luz.

9. Quando vemos e acreditamos na glória de Deus no evangelho, nos é dado o Espírito Santo, que derrama “seu amor em nossos corações” (Romanos 5.5).
A experiência do amor de Deus, conhecido pelo coração através do evangelho daquEle que morreu por nós quando éramos inimigos de Deus, nos dá a certeza de que a esperança despertada por todas as evidências que temos visto não nos desapontarão.

Traduzido por Filipe Schulz

sábado, 23 de janeiro de 2010

A CRUZ
por Luiz Felipe Pondé

ANOS ATRÁS, em Paris, o historiador Jacques Le Goff me falava da sua preocupação com o destino da cultura ocidental. Para ele, o Ocidente poderia perder sua identidade como resultado de sua própria produção cultural.

Outros intelectuais também partilhariam de suas inquietações. Entre eles, o antropólogo Lévi-Strauss, morto semana passada. Le Goff se inquietava porque parte das agonias da cultura ocidental teria sido fruto dos “achados” da história e da antropologia e seus frutos, as filosofias e políticas relativistas do século 20.

O relativismo existe desde os sofistas gregos e tem em Protágoras seu ícone máximo de então. Mas o que é “relativismo”? Em Protágoras é: “O homem é a medida de todas as coisas” (versão curta). Isto quer dizer que tudo é criação humana: a moral, a religião, enfim, as verdades de cada cultura. Sentados num bar, diríamos: “Cada um é cada um”.

A história contemporânea acentuou essa versão das coisas quando afirmou que as épocas têm suas concepções de mundo específicas e que não podemos dizer que uma época seja melhor do que a outra. A antropologia, por sua vez (e aqui entra Lévi-Strauss), afirmou que as culturas não podem ser comparadas umas com as outras sem cometermos o pecado de não percebermos que cada cultura seria um sistema fechado em si mesmo, onde um comportamento só poderia ser julgado pelos valores morais da própria cultura.

Por exemplo, matar bebês pode ser um horror moral acima do equador e uma obrigação sublime abaixo do equador. É comum remeter a Lévi-Strauss a descoberta da “dignidade intrínseca” de cada cultura, e que não se deve julgar uma cultura usando valores de outras.

Não há dúvida que essa atitude é essencial para a antropologia. O problema começaria quando pensamos no impacto do relativismo no próprio Ocidente que o inventou. Dito de outra forma: o relativismo se transformou numa militância política e moral apenas no Ocidente. Enquanto os ocidentais estariam sofrendo de uma “indigestão” devido à assimilação do relativismo, as “outras” culturas, estudadas pelos próprios ocidentais, permaneceriam no seu repouso não contaminado pelo relativismo. Trocando em miúdos: muçulmanos podem permanecer acreditando em seu paraíso com virgens, índios em seus espíritos da floresta, enfim, apenas os ocidentais deveriam “relativizar” seu Deus e suas “verdades”.

Sendo os cientistas sociais, os filósofos, os professores e os jornalistas maciçamente ocidentais, seriam as crianças deles que deveriam ser educadas duvidando da validade universal de seu mundo. Aí entra a inquietação de Le Goff: o Ocidente poderia se dissolver como identidade à medida que relativizaria a si mesmo, enquanto as “outras” culturas seriam poupadas da crítica relativista, porque indiferentes à angústia relativista ocidental e, também, porque contam com a simpatia do Ocidente nessa indiferença e na defesa de sua “dignidade intrínseca”.

A verdade é que os homens são sempre contraditórios e, ainda que eu não saiba se Lévi-Strauss de fato partilhava da mesma angustia de Le Goff, algumas pessoas afirmam que ele admirava seu avô Rabino e que julgava os racionalistas ateus uns chatos e preferiria aqueles que acreditam em Deus. Pode ser boato, mas isso faria dele um homem mais interessante do que alguns que engoliram o relativismo assim como quem come pão e vai ao circo.

Um exemplo da “indigestão” causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia “desrespeitado” porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas.

Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Visões ofuscadas de Deus

C.S. Lewis

Tratando-se de conhecer a Deus, a iniciativa veio da parte dele. Se Ele não se mostra, não há nada que você possa fazer para encontrá-lo. E, de fato, ele se revela muito mais a certas pessoas do que a outras, não porque tenha favoritos, mas porque é impossível que ele se mostre a um ser humana cuja mente e caráter estão em péssimas condições. É como a luz do sol que, embora não tenha preferências, não consegue refletir-se num espelho sujo de forma tão clara quanto num espelho limpo.

Você pode colocar isso de outra forma dizendo que, enquanto em outras ciências os instrumentos são coisas externas a você mesmo (como microscópios e telescópios), o instrumento por meio do qual você vê a Deus é seu próprio ser. E se esse “ser” não for mantido limpo e luminoso, sua visão de Deus ficará obscurecida – à semelhança da lua vista por um telescópio sujo. Eis porque pessoas horríveis têm religiões horríveis: eles sempre olharam para Deus com lentes sujas.

Excerto de Cristianismo Puro e Simples

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Uns aos outros

"O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei." Jesus Cristo

A expressão "uns aos outros" aparece mais de 50 vezes no Novo Testamento ao lado de um verbo no imperativo. Nas cartas de Paulo é comum encontrar ordens de amor mútuo, exortação mútua, perdão mútuo, submissão mútua, e edificação mútua. O apóstolo João chega até a dizer que é impossível amar a Deus sem amar o próximo.

Todas essas ordens derivam do mandamento único que Jesus estabeleceu pouco antes da Cruz, mandamento que resume toda a Lei: o Amor. Conforme Cristo anunciou, a profundidade desse amor não é rasa como uma mera tolerância ou respeito. Ele quer que o nosso amor seja tal como o amor dEle, um amor capaz de dar a vida. Cristo não morreu para apenas sentirmos o seu amor por nós. O seu sacrifício também serviu de modelo para nos levar à perfeição de caráter. O Seu desejo é que sejamos imitadores de Deus.

Diante dessas verdades, a realidade em que vive boa parte dos cristãos hoje é contrária à ordem do amor. Ainda que haja uma rotina de leitura bíblica, frequência aos cultos, e hábitos de louvor, o individualismo é a roupa que os crentes ainda vestem todos os dias. É comum entrar e sair do templo sem sequer cumprimentar alguém. "Exortação mútua? O que é isso? Confessar pecados uns aos outros? Eu não quero. Edificação mútua? O pastor é o responsável."

Pelo individualismo, corremos o risco de sermos sempre o dono da verdade, elaborarmos uma sofisticada máscara de santidade, e desobedecermos à principal ordem do Nosso Senhor. Esta bolha que cada um de nós possui é o fruto dos esforços do mundo em enfatizar a importância do eu, valorizar o estilo próprio, e apresentar a força do nosso desejo pessoal.

Tais coisas não procedem de Deus. O Cristianismo que o Pai nos propõe consiste em aperfeiçoarmos nosso caráter pelo exemplo de Cristo. É impossível alcançar essa perfeição sem a fraternidade. Há mais do que simplesmente ler a Bíblia e orar. Há um campo na santidade que só se desenvolve ao lado de outros irmãos, para servirem de referência, apoio, feedback, e orientação. O que foi a Ceia com os discípulos senão uma declaração de união espiritual? O que foi o lavar dos pés senão uma demonstração de serviço fraternal? Como é possível desenvolver humildade, submissão, serviço, mansidão, e bondade sem o exercício dessas?


"Jesus Cristo ensinou que nosso compromisso com Ele deve ser de todo coração. Isso quer dizer negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguí-lo. Mas as Escrituras são igualmente claras ao dizer que nossa atitude para com O Ungido se reflete em nossa atitude para seu povo. Como é nossa atitude para a Cabeça, assim será nossa atitude para com seu Corpo. Não podemos estar dedicados de todo coração a Jesus Cristo e apenas medianamente a sua igreja." Arthur Wallis, The Radical Christian.

André César Medeiros

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Não podemos sorrir na igreja

Domingo passado, na igreja, eu prestava atenção a uma criança que se virava para trás e sorria para todos. Ela não estava fazendo nenhum barulho, nem estava cantarolando, ou chutando, nem rasgando os hinários, nem mexendo na bolsa da mãe. Apenas sorrindo. Finalmente, sua mãe olhou para ela com cara feia e num sussurro teatral que poderia ser ouvido em um pequeno teatro da Broadway, disse: "Pare de sorrir! Você está na igreja!". Em seguida, deu-lhe um tapa e, quando lágrimas começaram a rolar pela face da criança, a mãe acrescentou: "Assim é melhor", e retornou às suas orações...


Subitamente, eu fiquei zangada. Percebi que o mundo inteiro está em lágrimas e, se você não está chorando, é melhor começar. Eu quis abraçar aquela criança com o rosto molhado de lágrimas e lhe falar a respeito do meu Deus. O Deus feliz. O Deus sorridente. O Deus que precisava ter senso de humor para ter criado gente como nós... Por tradição, as pessoas usam a fé com a solenidade de acompanhantes de enterro, a seriedade de uma máscara trágica e a dedicação de um participante do Rotary.

Que loucura, eu pensei. Aqui está uma mulher sentada ao lado da única luz ainda existente em nossa civilização — a única esperança, nosso único milagre — nossa única promessa de infinidade. Se ela não podia sorrir na igreja, para onde deveria ir?

Erma Bombeck

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Onde está a sua felicidade?

Eliéser Ribeiro

Hoje tive o prazer de assistir novamente o singelo filme À procura da felicidade. O filme relata a história de um pai (Will Smith), que foi abandonado pela esposa, com seu filho. O relato mostra que o pai passa por muitas dificuldades para manter a si mesmo, como também o seu filho. Eles perdem a casa, chegam a dormir num banheiro, depois num trem, e são recebido por um tempo num abrigo público para mendigos.

O ator principal ganha a vida vendendo uma máquina estranha, que dá pouco retorno. No decorrer do filme ele ingressa num estágio de seis meses que não paga salário e ao final concorre com mais 20 candidatos a uma vaga de emprego. O filme é divido em pequenas partes da vida dele, aonde ele vai nomeando cada uma. E a última parte, depois de vencido os desafios e alcançado o emprego é nomeada como: Encontrando a Felicidade. O filme termina com o relato de anos depois, em que ele conseguiu se estabilizar criando sua própria corretora e vendendo parte minoritária dela por alguns milhões. Essa, então, seria a felicidade que ele estava procurando e que dá nome ao filme.

A felicidade não estava no seu filho que acreditou nele o tempo todo. Também não estava no bom humor que permeou a relação entre os dois. Nem mesmo nos momentos em que eles passaram juntos. A busca pela felicidade estava na vitória final dele, que era ter uma vida de sucesso e ganhar dinheiro.

A felicidade de Chris Gardner (Will Smith) estava no dinheiro para sustentar a família, enquanto a do seu filho Christopher estava na confiança das coisas que não se viam e na certeza das coisas que se esperava.

E a sua felicidade onde está?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Amor
Eliéser Ribeiro

Como regra geral, todos temos a necessidade de estar ligadas à algo externo e superior a nós mesmos. O imperativo do vínculo com o transcendente faz com que alimentemos sentimentos, desenvolvamos esperanças, façamos planos, escrevamos poesias, mantenhamos amizades etc. Isso acontece, pelo menos por dois motivos: a) para dar sentido a vida além das condições materiais e objetivas que vivemos, para que essa seja maior do que a nossa realidade nua e crua; e b) como uma maneira de nos eternizar, para escrever a nossa história nessa vida.

Falo com toda segurança que um dos principais elementos externos a nós mesmos é o amor. No entanto, o que é o amor? Muitos poetas, cantores, filósofos, gente comum o tentaram definir. Muitos dirão que se aprende o que é apenas o praticando, outros dirão que não há quem explique e ninguém que não o entenda, outros dirão que é impossível defini-lo. Mas o amor é a virtude primeira, é o ponto de partida, é o começo da vida, a razão do ser, é o que faz acontecer; é o meio de transformar o sentimento em realidade, é o mecanismo do significado, é o sistema de lógica mais simples e ao mesmo tempo complexo.

Amam-se os amantes, amam-se os amigos, amam-se os pais, amam-se os filhos. Para amar é preciso relacionar, é preciso conviver, é preciso trocar, é preciso dar, é preciso receber. Mas o que objetivamente é o amor? A experiência humana conseguiu elaborar três respostas, ou identificar três formas de sua manifestação. Definições que não se opõem, tanto quanto se completam.

Eros

A primeira definição de amor se apresenta e se manifesta como Eros. Nessa manifestação o amor não seria outra coisa que não a falta, a necessidade, o desejo; aquilo que não possuímos, aquilo que está fora de nós, aquilo que queremos ardentemente.

Quem está mais próximo desse amor são os amantes, os apaixonados, os arrebatados que se entregam com a esperança de receber, de ter de volta, de ganhar, de completar aquilo que lhe falta. Esse amor é temporário, loucura, paixão, ilusão, saudade, necessidade, sofrimento, dor.

Esse amor é mais amor de si, do que amor ao outro; é o amor que constrói as ilusões e fantasias de si e do outro, que arrasta tudo como um rio e leva para o mesmo lugar; que quer muito mais receber do que dar, que quer muito mais ter do que ser.

Mas, então, esse amor seria muito egoísta, muito individual, muito catártico. E à medida que possuísse o outro, se acalmaria e se esfriaria até se apagar, pois já se tem o que quer, já possui o objeto de desejo. Ele nasce para morrer, renasce e depois “remorre” e cada vez que faz isso, o faz com menos violência, com menos força, com menos paixão. E como manter o amor?

Philia

Já é tempo de chegarmos à segunda definição e essa se manifesta como Philia. Nessa manifestação o amor seria aquilo que nos complementa, aquilo que forma uma coisa nova junto com indivíduos em relação, aquilo que calmamente expressa o regozijo e a alegria de estar junto com alguém.

Quem está mais próximo desse amor são os amigos, os pais e os filhos, os casais casados, as pessoas amistosas, que andam juntas mantendo uma relação estável e boa, gostosa e pura. Esse amor é ternura, continuidade, perseverança, paciência, alegria, regozijo.

Aprendemos que no Philia passamos do amor carnal para o amor espiritual, do amor a si ao amor ao outro, do amor que toma ao amor que dá, da concupiscência à benevolência, da falta a alegria, da violência a doçura.

Mas ainda assim o amor philia, envolve o interesse, a auto-satisfação, uma vontade de realização.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Ágape


Seria o amor apenas desejo e alegria? E que diremos daquele sentimento de generosidade, de caridade, de concessão, de doação, de altruímos? Na manifestação do amor ágape o indivíduo abre mão do seu direito, ou de sua vontade por amor ao outro, para atender a necessidade.

Essa forma de amor é demonstrada principalmente por Deus, mas apresenta exemplares entre os casais, entre mãe e filho, entre alguns amigos, entre filantropos. Esse amor se assemelha a caridade, é gratuito, sem motivo, sem interesse e até mesmo sem justificação.

O ágape é um amor criador. O amor divino não se dirige ao que já é em si digno de amor; ao contrário, ele toma como objeto o que não tem nenhum valor em si e lhe dá um valor. O ágape nada tem em comum com a amor que se funda na constatação do valor do objeto a que se dirige [como faz eros, mas como também faz philia, quase sempre]. O amor ágape não constata valores, cria-os. Ele simplesmente ama e com isso, confere valor. O ser humano amado por Deus não tem nenhum valor em si; o que lhe dá um valor é o fato de Deus amá-lo. O ágape é um princípio criador de valor. Só se torna amável aquilo que amamos antes.

O amor pode ser expresso pelo desejo do eros, pela alegria do amor philia, mas principalmente pela criação produzida pelo amor ágape, que completa todo um princípio fundador do sentimento e da ação.

Vemos em:

1 Coríntios 13
1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
2 Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
4 O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,
5 não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
6 não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará;
9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.
10 Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
12 Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.


Esse texto apresenta a excelência que é o amor, mostrando a suas qualidades e indispensabilidade. O texto também destaca a sua característica eterna, dizendo que ele jamais acaba. E por fim a sua perfeição na total ausência de interesse próprio. O amor busca o bem do próximo, e a sua verdadeira medida é o quanto ele dá para que se alcance tal fim. Mais do que simples emoção, o amor se configura como um princípio de ação.

Em breve virão as outras duas manifestação do amor: eros e philia

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Crises de Fé


Na caminhada cristã, por vezes, temos crises de fé. Essas crises nem sempre são profundas, nem dizem respeito a pontos específicos da fé doutrinária, das convicções intelectuais da esperança cristã. Muitas vezes vivenciamos crises de resposta, que surgem quando somos confrontados pelo mundo e pelas contingências da vida, tendo que responder a elas com atitudes que reflitam nossa esperança e nossas convicções. Fé como resposta, que não vem, pois entramos em crise.
As irmãs de Lázaro vivenciaram algo semelhante. Ao se depararem com a doença que seu irmão fora acometido, tiveram que agir rapidamente por acreditar se tratar de uma doença mortal, que levaria seu irmão à morte. Ao enviar alguém para encontrar Jesus e levar a notícia, recebem uma resposta do mestre que coloca isso em "cheque": essa doença não é para a morte, mas para glória de Deus. Estava posto, portanto, o que chamo a crise do entendimento. A forma como entendemos nossos problemas, no caso delas a doença de Lázaro, é diferente do modo como Jesus os entende. Jesus sabia que aquele problema possuia um objetivo distinto da morte. Tratava-se de glória, não morte. Em nossas vidas o exercício de fé a ser feito é esse: mão deixar que a aparência do problema o defina. Quem define nossos problemas e desafios é o Senhor, e ele nunca nos provará além de nossas forças, isso é certeza de fé. Na caminhada na Graça, Cristo quer que caminhemos com mais leveza e paz, sem a tempestuosidade dos problemas.

Outra crise que abateu essas irmãs e nos encontra também é a crise da espera. Diante dos problemas há sempre que se esperar pela solução. Mas basta vislunbrarmos uma solução e nosso coração já se antecipa a definir o tempo de ação, queremos que aquilo aconteça dentro de um tempo definido. É o caso das irmãs que dizem, ambas a mesma frase, a Jesus: se estivesses aqui meu irmão estaria vivo. Ou seja, se estivesse, de nada vale estar agora. Agora não pode curar uma doença, pois está morto. Mas eu sou a vida e a ressurreição! Mas não pode fazer nada agora...se estivesse antes. Esse pesar nas falas das irmãs demonstra o que acontece conosco. Quando o tempo que designamos passa, pensamos não haver mais solução, e a fé entra em crise. A crise da espera é essa: de não crer que Jesus tem seu próprio tempo de agir em nossas vidas. E que, às vezes, a espera dele, no caso de Lázaro Jesus decide esperar dois dias, trata-se de demonstração de amor. Os versículos 5, 6 do cap.11 mostram isso, Jesus espera por amar. Assim é conosco, o tempo de espera é prova de amor, pois nos prova e amadurece.
Por fim, temos a crise da solução. Jesus manda retirar a pedra do túmulo, e logo Marta responde que não faça aquilo, pois o morto já cheira mal. Queria dizer que não havia mais nada para se fazer, as soluções possíveis já haviam ficado para trás. Agora não há o que fazer. Estava ela limitada pela expectativa que tinha de uma solução. Esperava aquela forma de agir, nenhuma outra. Esperamos o que queremos, não o que devemos. Muitas vezes esperamos algo de Deus, mas não o que devíamos esperar dele, e sim o que queremos deseperadamente em nossos corações cheios de ansiedade. A crise aponta para a solução: Jesus agirá como quer, a seu modo, sempre nos surpreendendo, além de nossas expectativas.
Até quem crê em coisas tão grandiosas como a ressurreição de todos os homens no último dia, pode não ter fé que Jesus pode trazer um morto a vida fora desse tempo.

Fillipe Mendes

De assassino de cristãos a mártir do evangelho

Não há como ler a Bíblia sem perceber grandes personagens. Muitos se destacam pela fidelidade a Deus, como Davi e Moisés. Outros se destacam pela integridade, como Jó. Poderíamos citar os profetas: Isaias, Jeremias e Ezequiel. Todos, homens que tiveram uma vida de devoção a Deus. Se olharmos para o novo testamento não seria difícil citar: Mateus, Lucas, João e Pedro. Discípulos de Cristo, transformados a cada experiência vivida com o mestre na terra e após a sua ressurreição. Há inúmeros outros nomes como o do próprio Jesus Cristo. Mas há alguém que nos surpreende pela sua vida renovada. Paulo era assassino de cristãos e teve sua vida transformada, tornando-se o maior evangelista do novo testamento. Perseguidor de cristãos que acaba sendo perseguido pela mesma causa.

Paulo, do original o seu nome era Sha’ul (Saulo), nasceu e passou sua infância na cidade de Tarso, na Cilícia, que atualmente pertence à Turquia. Filho de judeu tinha cidadania romana, o que lhe foi útil para proteção durante toda a sua vida. Era fariseu circuncidado ao oitavo dia, manteve-se sempre em conformidade com a lei mosaica. Sua língua materna era o grego e provavelmente dominava o aramaico. Acredita-se que Paulo era manco de uma perna, tinha problemas de vista, era calvo e com aproximadamente 1,50m de altura.

Em determinada época de sua vida, Paulo foi viver em Jerusalém onde ocorreu o primeiro fato marcante de sua história, que a Bíblia nos relata, que foi o apedrejamento de Estevão, ao qual apenas observava, mantendo em seus pés os mantos das testemunhas. Esse era um tempo de grande perseguição contra os seguidores de Jesus, que ainda não eram conhecidos como cristãos, porém seguidores do “Caminho”. A perseguição tinha como argumento a ameaça que a nova fé entre os judeus convertidos oferecia à lei mosaica.

Tempos depois, Paulo se dirigia a Damasco com autorização do sumo sacerdote para prender homens e mulheres que pertencessem ao Caminho. Nesta viagem o fariseu é surpreendido pelo próprio Cristo, que o havia escolhido como instrumento do evangelho. Ele cai de seu cavalo, vê grande luz e fica cego por um tempo. Ainda frágil e perplexo Paulo recebeu a visita de Ananias em Damasco, que o acolheu e o batizou dando início à vida de um “novo homem”. Sua fama como perseguidor era conhecida e seus primeiros momentos como apóstolo de Cristo foi marcado por temor e muita desconfiança por parte dos discípulos. Não tinha como apagar um passado de tanta maldade, porém Paulo se tornava testemunha de Jesus. Ele já não era mais apenas um judeu fariseu perseguidor do Caminho, mas agora fazia parte do Caminho e isso exigia convicção, pois dali em diante ele iria ser perseguido e sofreria as mesmas agressões por ele mesmo praticadas anteriormente. Fazer parte do Caminho exigia uma conduta que comprovasse a sua transformação de vida.

Paulo certamente viveu para Cristo, esqueceu as coisas que para traz ficaram e caminhou para o alvo, que era levar o nome de Cristo perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. “Ninguém mais na Bíblia, além de Cristo, exerceu maior influência no mundo até então, bem como em nosso mundo atual, do que Paulo.” (Swindoll C.R)

A conversão de Paulo foi mesmo extraordinária. Assim como o apóstolo, todos nós temos nossos erros e medos e necessitamos da maravilhosa graça de Deus. Todos nós, sem exceção, somos marcados por um histórico de pecado e dor, contudo, a maior certeza que podemos ver nesse pequeno relato da vida de Paulo é que a graça sobrepõe o pecado. Não importa o passado de uma pessoa, pois qualquer um pode encontrar um novo começo com Deus. E a grande lição desse relato é que nunca é tarde demais para Deus começar a fazer coisas maravilhosas através de alguém. No entanto, aquele que tomar a decisão de carregar o nome de Cristo, viva como Paulo e seja santo como ele foi santo e que passou de perseguidor a perseguido. Caso contrário não se deixe ser chamado de Cristão, pois de nada valerá se não viver como tal. O preço existe e é necessário a cada dia saldá-lo.

André Dias

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Alguns do caminho


Você sabe como se chamavam e como viviam os primeiros cristãos?

No primeiro século, os cristãos eram chamados de “Os do Caminho”, o que torna essa, a mais antiga designação do cristianismo. Eles eram um grupo de pessoas que seguiam a doutrina dos apóstolos e espalhavam a idéia de um salvador que tinha características especiais: era filho de Deus, havia nascido de uma virgem, tinha realizado muitos milagres, por fim, teria morrido e ressuscitado e ascendera ao céu. No entanto, essas alegações não eram novidades naquela época, uma vez que outras seitas afirmavam características semelhantes sobre os seus deuses, como era o caso do deus Mitra (que também teria nascido de uma virgem e teria ressuscitado), o deus Átis (que também era ressurreto e era um mediador) e os próprios Césares governadores do Império (considerados como verdadeiros filhos de deus). Mas o que diferenciava os costumes populares da época, dos valores defendidos pelos primeiros cristãos? E o que fez essa mensagem durar até hoje?

No primeiro século, os cristãos eram chamados de “Os do Caminho”, o que torna essa, a mais antiga designação do cristianismo. Eles eram um grupo de pessoas que seguiam a doutrina dos apóstolos e espalhavam a idéia de um salvador que tinha características especiais: era filho de Deus, havia nascido de uma virgem, tinha realizado muitos milagres, por fim, teria morrido e ressuscitado e ascendera ao céu. No entanto, essas alegações não eram novidades naquela época, uma vez que outras seitas afirmavam características semelhantes sobre os seus deuses, como era o caso do deus Mitra (que também teria nascido de uma virgem e teria ressuscitado), o deus Átis (que também era ressurreto e era um mediador) e os próprios Césares governadores do Império (considerados como verdadeiros filhos de deus). Mas o que diferenciava os costumes populares da época, dos valores defendidos pelos primeiros cristãos? E o que fez essa mensagem durar até hoje?

Nesse tempo, o mundo era coordenado pelo regime político do Império Romano, que através do poder dos exércitos e da autoridade das leis, dominava quase todo o mundo. Os governadores desse Império eram conhecidos como Césares, que para proclamar os seus grandes feitos e maravilhosas realizações publicavam suas notícias através dos “euangelions”, palavra grega que significa boa nova. A palavra análoga no português seria “evangelho”. “Os do Caminho” utilizaram essa estratégia de marketing do Império para trazer as grandes notícias de um novo reino. E levaram a todo mundo a grande boa nova, de que a tão esperada profecia messiânica havia se cumprido, através da vida, morte e ressurreição de Jesus.

“Os do Caminho” experimentaram e fundaram uma prática de fé em valores cristãos genuínos, pois eles iam muito além da defesa pura e simples do evangelho, porquanto viviam intensamente esse evangelho. Esse grupo fez uma grande agitação naquele tempo (Atos 19:23), eles foram perseguidos e presos por Saulo quando esse ainda não era convertido (Atos 9:2) e os maiorais da sociedade se prontificavam a maldizer o movimento (Atos 19:9). Ainda assim, eles não podiam se furtar da responsabilidade de serem os portadores do evangelho. Eles não podiam deixar de ser o fio condutor da mensagem de perdão e amor de Jesus Cristo, desde aquela época até os dias atuais e mostrar a humanidade uma nova visão de mundo. Tal movimento foi tão impactante, que o seu principal algoz, Saulo, se tornou após sua conversão, Paulo, o seu grande líder e mentor.

“Os do Caminho” se diferenciavam porque aceitavam os escritos dos profetas e, além disso, fundamentavam a sua espiritualidade na prática de vida cristã e não somente na letra da lei. Naquele tempo, existia um número grande de seitas como ramificação do Judaísmo, tais como: fariseus, saduceus, essênios, zelotes entre outros, mas os seguidores de Yeshua (Jesus) eram conhecidos pelo simples vulgo de “Os do Caminho”. Vale ressaltar que as seitas não possuíam uma conotação negativa como o é atualmente. Entretanto, no judaísmo a expressão do hebraico para caminho (Ba Dereh) era utilizada algumas vezes como sinônimo de trilha, marcha, trajetória e era também aplicada com um sentido metafórico profundo, que é literalmente estilo de vida, modo de viver, conduta. E, ao fazer a mensagem dos profetas confirmada em Jesus, sua verdadeira vida, eles seguiam com a força de uma revolução.

Os governadores do Império Romano queriam criar um mundo novo com o seu poder, com o seu exército e com a força do seu braço; os que andam no caminho, entretanto, alcançarão um mundo novo com a cruz, junto daqueles que lavaram suas vestes e com a força do amor. A mensagem “d‘Os do Caminho” é diferente, porque buscou servir ao invés de dominar, procurou ser pequeno e não grande. Não procurou aplicar duramente a lei, mas fazer o bem. Procurou, antes de tudo, a graça no lugar do juízo. A mensagem foi muito diferente, porque eles serviram a um Deus, que mesmo sendo divino, se fez homem, que mesmo sendo celeste, veio a terra e em nenhum momento decidiu se afastar, muito pelo contrário, andou próximo. Ele preferiu amar ao invés de julgar. Ele preferiu ouvir, ao invés de ignorar. E “Os do Caminho” entenderam o seu recado e viveram esse amor na prática, amando a Deus sobre todas as coisas e ao outros como a si mesmos. Impérios se levantam e caem, mas a mensagem da boa nova dura até hoje, porque “Alguns do Caminho” ainda perseguem esses princípios genuínos, seguindo um Deus vivo.

Eliéser Ribeiro


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Lutero, um Louco?

Um homem lutando sozinho contra animais ferozes poderia ser chamado de corajoso, mas também ser chamado de louco. Um homem que mergulha em um rio caudaloso e nada contra a correnteza poderia ser considerado alguém muito bem disposto,ou alguém que não faz uso do bom senso. Um homem que resolve encarar sozinho, uma gangue com dezenas de indivíduos perigosos poderia ser visto como um ser de tremenda ousadia, ou como uma pessoa que anda na contra mão da razão.

Por que encontramos essas conclusões? Porque o senso comum e o bom senso estabelecem princípios e padrões de conduta e comportamento que ditam como o homem deveria viver. Em geral não vamos muito longe daquilo que já está pré-estabelecido, seja no campo social, moral ou mesmo religioso.

Lutero não se conformava muito às regras estabelecidas!

Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483 na cidade de Eisleben, Alemanha. Filho de pais simples, de origem camponesa, levava sobre si grandes expectativas, pois esperavam que tivesse um destino diferente, podendo galgar posições melhores que seus familiares.

Estudou em Erfurt, onde era chamado de “O Filósofo”, e concluiu seus estudos iniciais. Seu projeto era cursar Direito, mas seus planos mudaram radicalmente após uma inusitada experiência.

Voltava de uma visita aos pais quando foi surpreendido no caminho por uma incrível tempestade com intensas descargas elétricas. Conta-se que um raio caiu próximo a Ele que, assustado, fez a promessa a Santa Ana de se tornar um Monge, caso saísse vivo daquela situação. E saiu.

Martinho Lutero foi um monge da Ordem Agostiniana. Destacava-se pela sua intensa devoção, pelo longo tempo dedicado a orações, reflexão e pelo amor ao conhecimento. Seu superior, percebendo a angústia e agonia que vinha tomando a alma do jovem beato – muito exigente consigo mesmo em relação à santidade – o instruiu a se dedicar a outras atividades.

Em 1508, Lutero começa então a lecionar Teologia em Wittenberg. Ele continua seus estudos, gradua-se ainda mais e, rapidamente, se destaca como um grande teólogo e conhecedor profundo das Escrituras em suas línguas originais.

Percebeu pelo estudo da Bíblia que muitos dos ensinamentos da Igreja estavam errados, tais como a doutrina da salvação por obras e a venda de indulgências. Logo pôde ver que o verdadeiro ensino sobre a salvação do homem se baseava numa atitude de fé individual, que proporcionava ao homem um tratamento baseado na graça.

O ato mais notório do reformador que deu início a todo o movimento que ele encabeçou foi a afixação das suas 95 teses na porta da igreja do Castelo de Wittenberg que, ao contrário do que se pensa, não foi uma afronta direta a Igreja Romana mas uma proposta para debate.

O que Lutero queria era que suas teses fossem discutidas biblicamente e analisadas com imparcialidade. Aliás, Lutero, a princípio, não queria em hipótese alguma criar uma nova igreja. Como o próprio nome do movimento diz, ele queria reformar a igreja já existente, limpando-a de alguns dos seus erros crassos.

Lutero escreveu algumas obras que foram proscritas pela Igreja Católica; se envolveu em diversas controvérsias; por mais de uma vez foi convocado a se apresentar ao Papa ou a algum representante superior para negar seus ensinos; contudo, em todo momento, Lutero se manteve firme.

A luta de Lutero foi como a de Davi e Golias. Foi como um homem “insensato” que não percebendo os perigos que estão logo à frente continua caminhado corajosamente para dentro da escuridão. Lutero foi um homem diferenciado, enfrentou toda uma estrutura de poder milenar, plenamente estabelecida sobre um fundamento muito resistente.

No entanto, não fraquejou. Se nos perguntarmos se Lutero teve medo, podemos afirmar com grande convicção que sim. Contudo, seu compromisso e fé eram alicerçados no Deus da Palavra e em seguida na sua consciência.

Com este pequeno relato pudemos observar grandes coisas realizadas por Deus por intermédio deste reformador. E esse mesmo Deus age ainda hoje em nós. A pergunta que eu deixo é: de que forma iremos nos importar com esse mundo?

Precisamos de uma nova Reforma?

Eu responderia com um eloqüente, sim!

Nesses dias vemos os decorridos 491 anos, em que num derradeiro 31 de outubro, o então monge católico Martinho Lutero afixou nas portas da catedral de Wittenberg suas atualmente reconhecidas 95 teses, que versavam principalmente sobre a singularidade e pureza da Bíblia como única fonte de regra de fé e prática, sobre o questionamento da natureza da penitência, sobre a justificação pela fé e contra a soberania humana sobre as questões divinas.

O contexto espiritual e moral da Reforma Protestante foi marcado por um tempo de cristianismo deturpado e pela centralidade da instituição romana como fonte de moralidade. Se por um lado o pecado era justificado através do pagamento de indulgências para fins de salvação, como se a graça de Deus pudesse ser medida através do poder econômico, por outro lado a instituição era erigida como a medida de todas as coisas, como se as regras e princípios em si mesmos pudessem salvar ou santificar alguém. Isso resultou numa conjuntura miserável, em que os homens exerciam domínio uns sobre os outros com violência, construindo um contexto social de extrema desigualdade e sustentando um sistema moral vazio de sentido.

Transcorrido o tempo, chegamos aos dias atuais em circunstâncias semelhantes, visto que nossa espiritualidade tem sido fundamentada na fé que habita em palácios e construções monumentais, na confiança que se sustenta na razão, no conhecimento e nos títulos. Além do mais, a essencialidade da nossa fé tem se apoiado muitas vezes apenas em emoções e revelações dos “profetas” dos nossos dias. No plano moral, sustentamos conflitos e pontos de vista baseados em um individualismo que mina os laços sociais e que promove muito mais a disputa entre as pessoas do que o vínculo entre elas. Ainda, materializamos nossas relações tanto com Deus, quanto com as pessoas, fazendo com que essas interações sejam mediadas pelo auto-interesse, pelo sustento de status e pelo auto-engrandecimento.

Dessa forma, os genuínos cristãos, a seu tempo, não tem apenas o compromisso de professar os princípios básicos da fé cristã, à luz das Escrituras; mas é também de sua responsabilidade transmitir as verdades imutáveis à geração em que se situa. Esse desafio consta da compreensão das formas de pensamento do tempo presente e sua depuração através do padrão de Cristo.

Assim, a nova reforma necessária não é a de dimensões continentais e arrebatadora como a do passado, pois esta já tem o seu lugar na história. Mas a nova reforma, como a de outrora, deve iniciar-se com um reavivamento espiritual operado por Deus, que começou com uma experiência pessoal de conversão (Lutero), incorporada no axioma de que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, proclamando: que o “justo viverá por fé” (Rm 1:17). E, como a geração contemporânea tem como pressuposto que as ideologias, pontos de vista e opiniões sejam sustentados pela razão e por fatos concretos, temos, então, por imperativo do tempo presente, demonstrar a nossa fé em nossas práticas cotidianas, em nossas relações e em nossa conduta de vida, demonstrando uma a fé que age acima da lei dos homens, sendo assim uma fé que atua pelo amor (Gl. 5:6).

Você pode ser a mudanças que deseja ver no mundo!!!

Reformar

O que possui a Reforma de tão grandioso? Será o rompimento completo com a Igreja Romana, com as indulgências e com a autoridade dos Papas? Por um lado sim, por outro, não.

Essencialmente o problema não estava na Igreja Romana, mas nas motivações das atitudes de grande parte dos seus fiéis e líderes. E quais motivações poderiam ser essas? Poderiam me perguntar. As mais pecaminosas e torpes possíveis, responderia.

O erro da igreja estava em justificar a salvação, ou a posse da vida eterna, como um movimento humano de obtenção através de obras e ações. Daqui surgem, então, indulgências, sacramentos vários, penitências, etc. Ser cristão consistia, portanto, em viver em constante tensão com o pecado, num ciclo de pecado-perdão-pecado, sendo que o perdão advinha de punição. Vivia-se contabilizando a salvação, ao buscar maior número de boas ações do que de quedas.

Com a Reforma, tudo isso muda. Em que sentido? No sentido da salvação, pela graça. Deus vocacionou seus filhos, os elegeu para serem servos. A salvação independe do que sou, fui escolhido antes de ter praticado o bem ou o mal, para que a eleição permanecesse naquele que elege, não em mim.

Essa pequena reforma, entretanto, não nos conduziu à negligência. Pois poderia um leitor astuto perguntar: se não depende do que sou, posso ser o que desejar, e mesmo assim obter a salvação. Parece-nos certo, mas não é. Diferentemente da Igreja Romana, a salvação não é resultante de meu esforço ativo em direção a Deus. Para nós, Cristo não é apenas objetivo, mas também ponto de partida. Assim, a salvação não pode ser confirmada, por obras; o que faço é viver, digno de meu chamamento. O que faço, minhas obras cristãs e a santidade que almejo, tudo, é reflexo de Cristo, que em mim vive.

Nossas vidas, portanto, são estruturadas a partir de Cristo. Vivemos em constante tensão com a Vida, não com o pecado. Nosso Deus não exige apenas ações isoladas, mas ética. Não momentos esporádicos de santidade, porém um modo de viver santo, digno de homens separados, pelo próprio Deus.

Não existe salvação meritória, mas graça poderosa e irresistível.

Não há vida profana separada de vida sagrada. O que há é consagração plena à vida que viveremos em Cristo, apenas pela fé. Cada suspiro de meu ser busca a Deus. Tudo em mim deve existir sob o prisma da vocação, para a qual fui alcançado. Aqui se estabelece nossa relação com Deus; relação de tensão com a Vida, que consiste em perder a segurança própria para receber a do Cristo.

Nesse ponto tudo está em conflito, pois o bem que quero não faço, mas sim o mal. Essa tensão não me deixa abandonar por completo o pecado, mas somente assim posso agir por um fim último: amar a Deus. Só assim, posso dizer pela fé que vivo para Deus, não para mim.

Assim, a Reforma rompeu com a Igreja Romana, com seus dogmas e erros, mas antes rompeu com o pensamento humano-soberbo, que julgava ter em suas mãos a vida eterna. A Vida está em Cristo; ele é a Vida. A nós cabe apenas viver a vida que ele vive, pela fé, não por obras.

O que diremos então de praticar boas obras? Não mais as faremos? Deixaremos tudo em Deus? Não, pois em Deus está o realizar de todas as coisas, mas Ele nos escolheu para que vivamos em relação, respondendo ao nosso chamado, ansiando por viver uma vida coerente, em santidade, fazendo o que O agrada. Viver como cristozinhos não é uma opção para nós, nem um desafio; é, antes, uma ordem (Amai). Boas obras, para nós, é um modo de Deus agir através de nossa vida, que nos faz coerentes com o que somos: cristãos.


“Deus escolheu os crentes, mas para

que o sejam e não porque já o eram.”

Agostinho

domingo, 24 de agosto de 2008

Confissão ao Céu


O céu é lindo! Cativante a simplicidade com que se apresenta a mim, e a perfeição como é retratado com giz de cera nos desenhos infantis.

Por mais que o céu me impressione quando o percebo mais de perto, nos aviões, pára-quedas e coberturas de edifícios, nada se compara a vê-lo daqui, de baixo, da simples terra à qual voltaremos.

Quando é visto do alto, é bonito e diferente, e por isso desperta curiosidade e desejo de contemplá-lo. Mas daqui de baixo não. Daqui o céu é sempre, e sempre será, apenas, o céu. É ele quem me acompanhou no desenrolar dos fatos, e para ele outrora olhei desesperado procurando uma saída, uma solução, ou simplesmente o rosto daqueles que amo.

Daqui de baixo o céu é comum. Daqui o céu é simples. Daqui o céu é perfeito. Daqui o céu é céu!

O céu está sempre no céu, mas raramente é a ele quem busco. Olho para o céu em busca do sol, para me esquentar. Olho para o céu buscando a lua, por estar ao lado de uma bela mulher. Olho para o céu buscando as estrelas para evadir-me de mim e para afastar a melancolia do ceticismo gerado no dia-a-dia. Só não olho para o céu buscando o céu. Ainda assim, ele sempre está lá, no céu.

Em breves momentos durante meu breve e apressado percurso nas ruas da cidade, tenho percebido o céu. Nestes momentos, percebo-o por si mesmo. O céu pelo céu, o azul pelo azul, o algodão pelo algodão.

Ah, se eu pudesse me lembrar mais do céu. Parar o dia, descansar o ponteiro vibrante de meu relógio novo, deixar a pasta no chão, afrouxando a gravata e olhar para cima a fim de simplesmente encontrá-lo novamente, como ‘antigamente’. Esquecer-me do sol, da lua e das estrelas. Esquecer-me do calor, da mulher, do ceticismo. Seríamos somente eu e o céu, este se apoiando por inteiro em minha fronte virada ao infinito, e eu resistindo brevemente em desfocada concentração.

Quando percebi o quanto gosto do céu, percebi o quanto gosto de Deus. Da desfeita feita ao céu, diariamente, é Deus co-participante. Afinal, não olho para Deus buscando a Deus.

Olho buscando ajuda, levando pedidos, agradecimentos, ou simplesmente olho não buscando nada. Olho quando preciso ou quando vejo outros olhando, mas poucas vezes olho por simplesmente vê-lo, achá-lo, vivê-lo. Ainda assim, como o céu, Ele está sempre lá. Faz todos os poucos momentos de sincera contemplação imensamente mais proveitosos que momentos de sol, de lua ou de estrelas. Momento apenas de céu. Momento apenas de Deus.

Jonas M. Ferreira