domingo, 24 de agosto de 2008

Cistianismo como Conduta de Vida


O cristianismo ainda é a maior religião no mundo contemporâneo, com cerca de 2,1 bilhões de adeptos. Por outro lado, o número de homicídio global cresce 30% em apenas duas décadas; cerca de cinco milhões de pessoas ao ano são vitimadas pela violência e um bilhão de pessoas vivem em pobreza extrema em todo o mundo (Dados ONU, 2008). E diante de tantos fiéis e nas condições que se desenvolve a sociedade moderna, caberia perguntar: que tipo de cristianismo nós vivemos?

Nossa vida cristã tem se baseado naquilo que é socialmente aceito, então nos declaramos cristãos porque essa religião tem os princípios mais valorizados publicamente. Nosso cristianismo, portanto, tem se tornado apenas uma declaração e não uma forma de vida prática. Contudo, o cristianismo como forma de vida orientada pelo caráter de Cristo não deve ser apenas um conjunto de ritos, costumes e dogmas, que são expressões exteriores da nossa religiosidade, mas sobretudo uma forma de conduta, através da orientação dos pensamentos, sentimentos e atitudes, que constituem demonstrações interiores ou íntimas da vida.

Uma das marcas da sociedade moderna é a perda de um sentido absoluto para a vida; isso se deu basicamente por um longo processo de racionalização, que desenvolveu a convicção de que tudo o que é e que advém desse mundo está regido pelas leis que a ciência pode conhecer e que a técnica científica pode dominar: tudo, pois, que é considerado como válido, deveria ser conhecido e previsível. Essa característica tem o ponto negativo de desvalorizar toda a explicação transcendente ou absoluta para a vida. Por outro lado, essa racionalização tem os pontos positivos, de trazer a necessidade de justificação das nossas posições sociais, por exemplo, disposições de respeito e autoridade não são mais tradicionalmente dadas, mas precisam ser adquiridas e reconhecidas; e também nos obriga a um modo de vida mais claro, no qual nossas mazelas e questões profundas são lançadas à luz para que todos vejam e questionem.

Assim, não devemos nos conformar com as características negativas deste modo de vida moderno, mas podemos ser transformados com a renovação positiva que ele nos permite viver (parafraseando Rm 12:02), produzindo uma fé refletida em nossas atitudes e realçada em nossa disposição convicta e clara de agir dando sentido, verdadeiramente cristão, a esse mundo. Desse modo, nosso cristianismo deve ser estruturado numa produção de conduta de vida atenta e desperta para as necessidades desse mundo. E o valor guia dessa conduta de vida no mundo moderno deve proporcionar a união entre uma escolha pessoal e interna combinada à clareza das prioridades exigidas pelo ambiente externo, proporcionando uma concepção de cristianismo como uma dedicação a uma causa supra-pessoal, que visa o outro em interação, e não apenas o eu em auto-edificação. Em outras palavras, aquilo que se pensa, fala e faz tem que estar em coerência com o caráter cristão.

A imagem que melhor reflete a disposição que o cristão autêntico tem que assumir no mundo é a condição de um indivíduo num campo de batalha, sempre consciente de todas as suas atitudes e responsável pelas conseqüências da sua ação. Esse cristão não pode mais se esconder por detrás da tradição e nem em estórias nebulosas para explicar a sua fé, nem pode justificá-la em instituições falidas e nem se retirar do mundo para se consagrar. Ele tem que encarar a realidade do mundo com a frieza do conhecimento, com o avanço das ciências e lidando com as notícias do dia-a-dia (como vimos nos dados acima) de maneiro consciente. E, principalmente tem que se envolver com esse mundo, assumindo o desafio de se consagrar dentro dele e dando-lhe novo sentido.

Por fim, o cristianismo que devemos viver deve ser aquele capaz de produzir uma personalidade vocacionada para ação nesse mundo, pois é esse mundo que deve ser transformado. Esse cristianismo tem que ser capaz de fomentar não apenas uma religiosidade de declaração, mas também uma conduta de vida, que se renove diariamente num Cristo que é vivo, pois o crente que está nEle, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; e eis que todas se fizeram novas.( 2 Co 5:17).

Eliéser Ribeiro

4 comentários:

Juliano Marques disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliano Marques disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliano Marques disse...

Meu caro Eliéser, gostei do Jornal Norte! Parabéns a você e ao seu grupo!

Uma contribuição para a discussão. Indo de encontro ao que pensava ser uma característica da modernidade, o que se percebe é que as religiões, que pareciam estar nos seus últimos suspiros,
principalmente as de caráter popular, estão num crescente, num – digamos – novo reavivamento, numa profusão de novas expressões, rearticulações, denominações e matizes teológicas. Mircea Eliade afirma que "uma tal existência profana jamais se encontra no estado puro. Seja qual for o grau de dessacralização do mundo a que tenha chegado, o homem que optou por uma vida profana não consegue abolir completamente o comportamento religioso (...): veremos que até a existência mais dessacralizada conserva ainda
traços de uma valorização religiosa do mundo" (ELIADE, 1996, pp27). (Trecho da minha monografia de especialização, "DEUS MARAVILHOSO ALELUIA" A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS: O FENÔMENO CONTEMPORÂNEO DA RELIGIOSIDADE POPULAR"

Parabéns. Se puder contribuir, conte comigo.

Que a abundante Graça de Deus lhes dêm sabedoria para conduzir este projeto.

Eliéser Ribeiro disse...

Olá, Juliano.

Existe hj uma tese sobre o reencantamento do mundo que vai de encontro a isso que a Eliade escreveu.
Me manda o seu email para fazer contato com vc.